Mercado de luxo – um sonho possível num item acessível

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O que te vem à cabeça quando pensa na palavra luxo? Um carro caríssimo? Um jatinho particular? Ao contrário do que muita gente pensa, o mercado do luxo não é feito só para os ricos – e mesmo as mais importantes marcas de luxo do mundo já notaram que parte significativa de suas receitas pode vir de itens de luxo acessíveis a (quase) todos. E que eu e você, com um pouquinho de disciplina e esperteza, também podemos ter acesso ao luxo! Quer ver como?

A ideia do artigo veio com a leitura do livro Universo da Moda, de Dario Caldas. E fiquei pensando com os meus botões em toda a mística que envolve as marcas de luxo. No desejo de nós, pobres mortais, de ter luxury experiences ou, de alguma forma, levar pra casa um pouco do ar de sofisticação, da felicidade, da beleza perfeita ou de tantos outros atributos associados a empresas como Chanel, Louis Vuitton, Tiffany… E também houve grandes movimentações de marcas seculares e tradicionais, que estavam perdendo espaço para marcas mais jovens, no esforço de se reinventar para continuar gerando receita, tanto por meio de produtos quanto por suas estratégias comerciais. O ingresso maciço de marcas famosas pelo luxo em economias emergentes como o Brasil ou a Índia também são indicativo de que não dá para ignorar a massa de pessoas – ricas ou não – que desejam consumir luxo. E a gente, claro, pode se beneficiar em alguma medida, tendo artigos de luxo que cabem no bolso.

Continue lendo para saber como!

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Luxo – uma conquista

De acordo com o artigo de Elaine Michely, as marcas de luxo não disputam clientes com base nos preços de seus produtos; do contrário, ela associa suas criações à alta qualidade de materiais e processos produtivos, assim como busca outros elementos de apelo emocional para se conectar com os consumidores:

“Criar uma identidade de marca a ponto de transformá-la em luxo exige uma forte diferenciação construída por anos e anos de ações assertivas e consistentes, que busquem uma imagem imaculada e ligada a valores como conquista, distinção social e poder”.

Já o artigo do The Guardian lista seis itens chave para definir estratégias de marketing bem sucedidas dessas empresas. De forma resumida, são:

Crença no valor da marca – as marcas de luxo não devem estar dispostas a atingir todos os consumidores, mas aqueles que cujas crenças são alinhadas às da marca.

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Filha de Johnny Depp – a atual persona da Chanel

Mais do que uma logo – Para além da (brega) logomania, há marcas que não ostentam suas logos, mas ainda assim são facilmente reconhecidas pelos admiradores.

Sem marca, mas o trançado "denuncia": Bottega Veneta
Sem marca, mas o trançado “denuncia”: Bottega Veneta

Envolvimento do consumidor em um ritual – Marcas de luxo investem não só na aquisição, mas também na experiência positiva do consumidor com a marca, que vai desde a possibilidade de customização de um produto ao acompanhamento de sua montagem na própria linha de produção.

A loja é um templo – Também no sentido de reforçar a vivência com a marca, os pontos físicos de venda são verdadeiros templos, em que atua com força o marketing sensorial.

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Círculo exclusivo – A promessa de pertencer a uma comunidade exclusiva também é explorada por muitas marcas de luxo. Há lojas que não vendem todos os itens – alguns são apenas para um seleto grupo de pessoas, dispostas a pagar muito por um objeto de desejo e altamente exclusivo.

Mitificação da marca – Normalmente a criação da marca é uma lenda, e o seu/sua criador/a é um verdadeiro mito. Podemos citar Gabrielle Chanel, Louis Vuitton, que inclusive fundiram seus próprios nomes às marcas que criaram.

Esse preâmbulo é importante para que a gente tenha na cabeça que muitas vezes o luxo não é restrito a um produto – há uma experiência de luxo, que está presente no serviço agregado, em vantagens exclusivas e em outras coisas que garantem uma proximidade alta entre uma marca e um consumidor.

Mercado de luxo no Brasil

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Embora pobre, o país é um player importante no mercado de luxo mundial. Isso foi possível principalmente a partir da década de 90, com a abertura do mercado brasileiro às importações de produtos. A própria cultura brasileira favorece a incorporação do luxo e de símbolos de status como forma de diferenciação social. Altamente concentrado no eixo São Paulo-Rio, aos poucos houve a proliferação de marcas de luxo em outras cidades brasileiras como Porto Alegre, Curitiba e Belo Horizonte.

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Donata e Heleninha: ícones do luxo no Brasil

Luxo acessível

O luxo não é necessariamente impagável. Tanto é assim que as próprias marcas expandiram suas linhas de produtos, e aproveitaram para aumentar as receitas. Exemplos:

Conhecida pela sua qualidade em alta-costura, a Dior vende perfumes, bolsas, óculos e maquiagens. Não que sejam baratinhos, mas custam uma fração de um vestido de festa.

A Montblanc há tempos deixou de ser conhecida apenas pelas inconfundíveis canetas; também vende artigos de couro e perfumes.

"Edição limitada" também pé uma expressão mágica no mercado de luxo
“Edição limitada” também pé uma expressão mágica no mercado de luxo

A Calvin Klein consegue atingir as massas e manter um pé no segmento de luxo. Seu perfume CK One é um verdadeiro clássico, e é possível arrematar roupas e acessórios com ótimos preços.

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A L’oreal, mesmo presente em drogarias e supermercados, mantém produtos Premium em lojas e salões especializados.

Com a gastronomia em alta, as experiências em restaurantes de luxo estão muito valorizadas, havendo casos de filas de espera de meses! O Guia Michelin, famoso pelas suas avaliações, já “estrelou” restaurantes brasileiros. Mesmo sendo possível gastar quatro dígitos em uma refeição, ainda sai mais barato que viajar à França, né?

Experiências de luxo que a gente pode desfrutar

Quer ver que o luxo está ao alcance de nossas mãos – e do nosso bolso? Listei algumas experiências de luxo e aquisições que são possíveis mesmo para quem não tem muitos zeros à direita na conta (tipo eu!):

– Passar um final de semana em um hotel de luxo na mesma (ou próxima) cidade onde vive;

– Comer em um restaurante chique sem se preocupar com a conta (contei minha experiência com o Guia Michelin nesse post);

Tomar um champanhe (não tive coragem ainda de tomar Dom Perignon, mas a Veuve Clicquot é boa demais!);

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– Fazer um Day SPA ou mesmo uma massagem;

– Comprar flores frescas para casa;

– Ter um par de óculos e/ou relógio de marca (unzinho, vai); itens de coleções mais antigas têm ótimo custo-benefício e continuam primando pela qualidade;

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Meu inseparável relógio MK: anos sem me deixar na mão

– Ter disciplina para juntar dinheiro e fazer a viagem dos sonhos;

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– Tomar café Premium no shopping ou em casa

-Beber água San Pellegrino, considerada a champanhe das águas;

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– Investir num bom perfume (por sinal, tudo sobre o universo dos perfumes tá nesse post);

Passear (nem precisa comprar, se não quiser) pela rua Oscar Freire, Quinta Avenida, Champs Elysees ou St. Honoré…

– Comprar um artigo de decoração bonito de uma cidade visitada e incorporar à decoração da casa – ex.: uma peça em madeira de Tiradentes, um tapete bonito na Turquia, uma cerâmica do Pará!

– Se presentear com uma jóia;

– Assistir a um por do sol num lugar bonito;

Bom pra namorar e pra ver a vida passar

– Fazer um passeio de barco;

– Flanar; não se preocupar com o tempo. Isso é um luxo nessa vida corrida que a gente leva!

Luxo? Não, lixo

Já essas coisas abaixo não têm nada de luxo: muito pelo contrário, são um lixo!

– Ostentar marcas (você não é outdoor);

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– Destratar trabalhadores como faxineiros e porteiros. Você não é superior a ninguém;

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Senhora, pare de bater nas pessoas

– Fazer barraco “porque tá pagando”;

– Dançar na boate com a máquina de cartão de crédito igual a um idiota – se você tava em outro planeta e não viu essa, clica aqui;

– Usar roupas vulgares – não tem estilista que salve uma roupa vulgar!

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Red carpet? Sei…

– Usar falsificações – não usar roupa de marca não é demérito algum; já falsificações são cópias grosseiras de itens de luxo, de qualidade duvidosa e que fortalecem a pirataria;

– Usar peças verdadeiras, mas adquiridas por meio de contrabando. Me poupe.

É isso! Acho que a gente pode ampliar o nosso conceito de luxo e se mimar com alguma coisa bem legal de vez em quando, né não? Eu amo!

Espero que você goste do artigo – compartilha em sua rede social! E claro, te convido a cadastrar seu e-mail e ter acesso a todo o conteúdo do DDE na maior mordomia! Rs

Bjs

 

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